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Meu perfil BRASIL, Sul, Mulher |
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SÓ
só pateta
sóbizarro
só peculiar
sólouco
sópirado
sómaluco
sóesquisito
sóestranho
sóexcêntrico
sóímpar
sóidiossincrático
sóabsurdo
sóforadoesquema
sóanômalo
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SINGULAR
privadosingular
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exiladosingular
não-casadosingular
sempre-solteiro-mas-ainda-aberto-à-possibilidade-romântico-singular
romântico-singular-num-relacionamento-mas-não-completamente-definido-e-dominado-por-ele-singular
solteiro-mas-apaixonado-pela-vida-e-pelas-pessoas-singular
Claramente, tinha de ser, sósingular
sósingular s. pessoa que gosta de ser solteira (mas não se opõe a ter um relacionamento) e geralmente prefere estar sozinha a namorar só para fazer parte de um casal. De características únicas e espírito otimista; uma personalidade que transcende o estado civil. Também adj. de, relacionado a, ou só singulares ecarnados.
Retirado do livro [sósingular] quirkyalone - um manifesto a românticos irredutíves- Sasha Cagen
Seeeem dúvidas... explendido...
[As grandes dores são mudas. Mas o diáloago persiste
Millôr ]
Pessimismo, cara, quê qué isso? Temos que evitar apenas os politicos corruptos, a violência crescente, o terrorismo difuso, o turismo desenfreado feito por velhinhas safadas, a emigração indesejável, a possibilidade da fabricação de bombas atômicas domésticas, a ameaça das "fronteiras móveis" (o Acre tá aí mesmo), os grandes conglomerados internacionais, o consumo doentio, a Conspiração Amarela com a capitalização da China, a poluição dos plásticos (sem esquecer da água, do ar, da luz, do sexo, da moral e dos biquínis), as marabundas africanas organizadas em exércitos, o neonazismo, o neofascismo, o neo-neon, a Conspiração Internacional para a Extinção Sistemática da Flora e da Fauna, os incorporadores imobiliários, bumerangues a baixa altitude, os canibais sequestradores de aviões, raios manta e raios panda, financiamento internacional do sistema de castas, elefantíase nos atletas, ateus, hereges, antipatistas, a vingança de Montezuma, vulcões ligados a tsunamis, a Conspiração Internacional dos Porcos Chovinistas, a democracia bolivariana, os pintores primitivos, tempestades de areia, vias de tráfego com três mãos e quatro andares, ameaça do degelo do pólo ártico e dos outros, comemorações da vitória Internacional do Homossexualismo cristão, monstros do lago Ness, menores sedutores, sedutores de menores, o boom da impotência, capitalistas bonzinhos, a Lei e a Ordem, especulação da bolsa Vuitton, obras de arte em geral, Conspiração Internacional da Chatice Organizada, sodomia, legalização das drogas, superpopulação, estranhos em movimento na vizinhança, manobras suspeitas na Bahia, explosões solares, adoradores de beterraba, Conspiração Internacional de Croupiers, delatores e dedo-duros, orgias no andar de cima, bacanais no andar de baixo, mosquitos gigantescos, moscas invisíveis, jigabós e telêmacos, maníaco-depressivos armados, aquele som, trios elétricos, baianos elétricos, gauchos radioativos, materialistas sem Deus e sem moral, a volta da febre amarela em várias cores, voodoo, magia negra, macumba e maçonaria, monossódio e hexacloreto de coentro, jornais sem revisão, seminários sem censura, o undergound, o establishement, colonialistas negros e missionários santimoniosos, virgens profissionais, beijos na boca, boquetes, seqüestradores de cachorros, nuvens de baratas paraguaias, mulatos liberais, barbados analfabetos, Conspiração Internacional dos Ratos de Sacristia, Agências de Publicidade, epidemia de tiques nervosos, Conspiração Internacional dos Motoristas Cegos, Conspiração Internacional de Psicanalistas Ávidos de Lucros Fáceis, ostras envenenadas, arteriosclerose, caçadores de cabeças, puritanos à solta, vôos da Goal sem itinerário, ciganos adoidados roubando criançinhas de 18 anos, cidades de velhinhos nazistas fugitivos, cursilhos, auto-de-fé, chicos-xavieres e zés arigoses aos milhares, etrôncio 90, 91, 93, batedores de carteiras, menores delinqüentes, guardas pessoais, alcoólicos anônimos, alcoólatras famosos, a indústria do câncer, comunas e camping, macacos completamente nus, bombas atômicas extraviadas, extra-viados, mau hálito generalizado nas elites dominantes, Companhias de Seguro, solitários ameaçadores, ditadores analfabetos, organização militar das atividades religiosas, explosão da primeira bomba atômica do Haiti, gota catarata, rompimento de gigantescos interceptores de esgotos, desastres com petroleiros de 1 milhão de toneladas, maconheiros armados, conclaves de estrupadores de domésticas, terremotos, maremotos, falsos orientais, a maldição do sangue de pantera, doença do sono, falta de sono, trocadilhistas, donas-de-casa incompetentes virando emancipadas, contrabandistas, navios sob a bandeira da Libéria, antropólogos comendo índias, outros comendo índios, peixes contaminados, psicologismo, muros com cacos de vidros, vitiligo, pelagra, cães hidrófobos, violação de e-mails, velhotas topless, divorciadas doidonas, incêndios, aquecedores a gás, terapia de grupo, sexo grupal...
*Millor é incrível....
* indignada com o país e com o mundo em que vivo...
Bom final de semana a todos :D
Recebi por email esse texto do Jabor...
incrivel como ele se supera a cada texto
;)
bom final de semana à todos
:**~
A ARTE DE GOSTAR DE MULHERES
Quem disse que é impossível?
Bem eles esqueceram que este mundo continua girando
E a cada novo dia eu posso sentir uma mudança em tudo
E como quebra a superfície, reflexões enfraquecem
Mas de algum modo eles permanecem os mesmos
E como minha mente começa a abrir suas asas,
Não há limites para a curiosidade
Eu quero virar a coisa inteira de cabeça para baixo
Eu vou encontrar as coisas que dizem que não podem ser encontradas
Eu compartilharei este amor que eu encontro com todo o mundo
Nós cantaremos e dançaremos às canções de Mãe natureza
Eu não quero que este sentimento vá embora
Quem disse
Que eu não posso fazer tudo
Bem eu posso tentar
E como eu rolo ao longo de mim eu começo a achar
As coisas não são exatamente como parecem
Eu quero virar a coisa inteira de cabeça para baixo
Eu vou encontrar as coisas que dizem que não podem ser encontradas
Eu compartilharei este amor que eu encontro com todo o mundo
Nós cantaremos e dançaremos às canções de Mãe natureza
Este mundo continua girando e não há nenhum tempo para desperdiçar
Bem tudo continua girando girando em círculos e de ponta cabeça
De cabeça para baixo
Quem vai dizer que é impossível e não pode ser encontrado?
Eu não quero este sentimento para ir embora
Por favor não vá embora
Por favor não vá embora
Por favor não vá embora
É assim que deve ser?
É assim que deve ser?
***[ Upside Down - Jack Jonhson]***
Qual é o elogio que uma mulher adora receber? Bom,
se você está com tempo, pode-se listar aqui uns
700: mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam
eles físicos ou morais. Diga que ela é uma mulher inteligente
e ela irá com a sua cara. Diga que ela tem um ótimo caráter,
além do corpo que é uma provocação, e ela decorará o seu número. Fale
do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
da sua aura de mistério, de como ela tem classe: ela achará você muito
observador e lhe dará uma cópia da chave de casa. Mas não pense que o
jogo está ganho: manter-se no cargo vai depender de sua perspicácia para
encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta. Diga que ela
cozinha melhor que a sua mãe, que ela tem uma voz que faz você pensar
obscenidades, que ela é um avião no mundo dos negócios. Fale sobre sua
competência, seu senso de oportunidade, seu bom gosto musical. Agora,
quer ver o mundo cair? Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha. Voz fina, roupas pastéis, calçados rentes
ao chão. Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja, cuida dos
sobrinhos nos finais de semana. Disponível, serena, previsível, nunca foi
vista negando um favor. Nunca teve um chilique. Nunca colocou os pés num
show de rock. É queridinha. Pequeninha. Educadinha. Enfim, uma mulher
boazinha.
Fomos boazinhas pr séculos. Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada,
ceguinhas. Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e
nenezinhos. A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
crucifixo em cima da cama, tudo certinho. Passamos um tempão assim,
comportadinhas, enquanto íamos alimentando um desejo incontrolável de
virar a mesa. Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas. Ninguém mais
fala em namoradinhas do Brasil: somos atrizes, estrelas, profissionais. Adolescentes
não são mais brotin: são garotas da geração teen. Ser chamada de
patricinha é ofensa moral. Pitchulinha é coisa de retardada. Quem gosta
de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa. Ser boa é bom, ser
boazinha é péssimo. As boazinhas não têm defeitos. Não têm atitude. Conformam-se
com a coadjuvância. Ph neutro. Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor
das intenções, é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos,
enigmáticos. As inhas não moram mais aqui. Foram pro espaço, sozinhas.
[Martha Medeiros]
Acho sinceramente que ainda não criaram algo pior (se tratando de relacionamentos) que querer estar com uma pessoa, amar ela profundamente...
saber que ele te ama. ele te faz feliz.. tu nunca foi tão feliz na vida
mas...
simplesmente não podem ficar juntos...
é ... acho que alguém já disse que há mais coisas entre o céu e a terra...
pena que nem sempre as pessoas que se gostam podem ficar juntas...
"...Nós pertencemos um ao outro
Em quem eu poderei me recostar quando os tempos se tornarem difíceis
Quem vai conversar comigo ao telefone
Até o sol aparecer
Quem vai tomar seu lugar
Não há ninguém capaz..."
[Mariah Carey]
Talvez o Anjo tenha vindo ao meu encontro segunda...
Talvez os motivos que dei para ele não me levar tenham sido suficientes para me deixar por aqui mais uns tempos...
Ou talvez apenas a ternura que encontrei nos olhos da minha subrinha me fez perceber que tudo é possivel...
"Meus dias são sempre como uma véspera de partida. Movimento-me entre as pontas como quem sabe que daqui a pouco já não vai estar mais presente. As malas estão prontas, as despedidas foram feitas. Caminhando de um lador para outro na plataforma da estação, só me resta olhar lerdo as coisas, sem nenhuma compreensão, nenhuma vontade de ficar. "
"Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco seria uma outra forma de loucura. Necessariamente porque o dualismo existencial torna sua situação possivel, um dilema torturante. Louco porque tudo que o homem faz em seu mundo simbólico é procurar negar e superar sua sorte grotesca. Literalmente entrega-se a um esquecimento cego através de jogos sociais, truques psicológicos, preocupações pessoais tão distantesda realidade de sua condição que são formas de loucura - loucura assumida - loucura compartilhada, loucura disfarçada e dignificada, mas de qualquer maneira loucura."
[Ernest Becker: A negação da morte]
[ O homem estava pegando as chaves do carro (a mulher já tinha saído para levar as crianças à escola) quando tocaram a campainha.
- Sim?
O ser andrógino, belo e feio, alto e baixo, negro e louro, faz um sinalzinho dobrando o dedo indicador:
- Vim bsucar você.
Não era preciso explicar, o homem entendeu na hora: o Anjo da morte estava alim e não havia como escapar. Mas, acostumado a negociações, mesmo perturbado ele rapidamente pensou que era cedo, cedo demais, e tentou argumentar:
- Mas, como, o quê? Agora, assim, sem aviso sem nada? Nem um prazo decente?
O Anjo sorri um sorriso bondoso e perverso, suspira e diz:
- Mas ninguém tem a originalidade de me receber com simpatia neste mundo, ninguém nunca está preparado? Está certo que você só tem quarenta anos, mas mesmo os de ointenta...
O homem agarrou mais firme a chave do carro que acabara encontrando no bolso do paletó, e insistiu:
- Vem cá, me dá uma chance.
O Anjo teve pena, aquele grandalhão estava realmente apavorado. Ah, os humanos... Então teve um acesso de bondade e concedeu:
- Tudo bem. Eu te dou uma chance, se você me dar três boas razões para não vir comigo desta vez.
(Passava um brilho malicioso nos olhos azuis e negros daquele Anjo?)
O homem aprumou-se, claro, ele sabia que ia dar certo, sempre fora um bom negociador. Mas, quando abria a boca para começar sua ladainha de razões - muito mais que três, ah sim - , o Anjo ergueu um dedo imperioso:
-Espera aí. Três boas razões, mas... não vale dizer que seus negócios precisam ser organizados, sua mulher nem sabe assinar cheque, seus filhos nada conhecem da realidade. O que interessa é você, você mesmo. Por que valeria a pena ainda te deixar aqui por algum tempo?
Já narrei essa fábula em outro livro,e nele quem abria a porta era uma mulher. A objeção que o Anjo lhe fazia antes dela começar a recitar seus motivos era:
- Não vale dizer que é porque marido e filhos precisam de você...
Muitas vezes contei essa historinha, e inevitavelmente homens e mulheres ficam surpresos e pensativos, sem resposta imediata ainda que de brincadeira.
E nós? Com que argumentos persuadiríamos o anjo visitante de ainda não nos levar?
Eles seriam falsos, inventados na hora, ou brotariam da nossa eventual contemplaçao - e reavaliação - da vida, e do sentido de tudo, de nossos projetos e esperanças?
Isto é, se acaso alguma vez interrompermos nossa agitação para um questionamento desses. Pois em geral nos atordoamos na agitação da mídia, da moda, do consumo, da corrida pelo melhor salário, melhor lugar, melhor mesa do restaurante, melhor meio de enganar o outro e subir.
Ainda que infimimamente em nosso infímo posto.
Lya Luft ]
O que ainda não fiz?
quais seriam os meus três motivos para continuar nesse mundo paranóico?
Ainda não plantei uma árvore, ainda não escrevi um livro, ainda não tive filhos,
ainda não terminei a faculdade, ainda não construi nada,
ainda não encontrei meu amor de verdade, ainda não recompensei meus pais
de maneira suficiente pelo investimento,
E Quantos "ainda não" tiverem por vir...
E será que eu, por mais tempo de vida tenha, farei alguma dessas coisas?
será que eu farei a minha vida valer a pena?
será que na prestação de contas final (porque acredito que no final deve
existir um balanço à ser entregue) o meu saldo será positivo?
será que ao olhar pra trás eu terei a certeza de que fiz tudo que queria,
e deveria ter feito?
Nunca terei essas certezas...
aliás, nem eu, nem ninguém
porque ninguém sabe ao certo o que nos espera...
a não ser tentar...
(continuo apaixonada, no bom sentido é claro, porm Lya... surpreendente a cada página)
Ser distraído é ser diferente, é ser minoria. Taxados de loucos, lunáticos, lesados, abestados, nunca merecemos a centésima chance, pelo menos. Abrir uma sombrinha no segundo andar de um edifício, mesmo que só esteja chovendo lá fora, pode até provocar risos. Mas para nós, que andamos no mundo da lua, lunáticos assumidos,
torna-se um verdadeiro estigma.
Melhor que o dentista nem me tivesse lembrado da sombrinha esquecida. Foi só ele lembrar e eu acionar imediatamente a dita cuja. Fiquei lá, a esperar o elevador, enquanto todos me olhavam como se eu fosse um ser de outro planeta. Tentei buscar em mim algo de errado que estivesse chamando atenção. Foi quando olhei para o teto e descobri que não chovia no segundo andar. Enfrentei a todos e, de pirraça, mantive a sombrinha aberta, até o elevador chegar e eu perceber que ele era pequeno demais para nós duas- eu e a sombrinha. Resolvi fechá-la e descer mesmo pela escada, afinal eram só dois andares...
Por falar em escada, esta parece me perseguir. Desisti de transar aquele barzinho legal debaixo da escada do meu antigo apartamento duplex, por uma simples derrapada verbal. O desenhista, que planejou a estante da minha biblioteca, chegou para receber o dinheiro do seu trabalho e eu aproveitei para lembrar o que já havíamos falado antes:
- E aí, Aderaldo, quando é que a gente vai transar debaixo da escada?
O outro se fez de desentendido e ficou a olhar alternadamente para mim e para o meu marido. Tive que me apressar e consertar em tempo hábil: "quero dizer, transar o barzinho de que te falei, aproveitando o espaço, debaixo da escada"...
O pior de ser distraído é que pouca gente nos leva a sério, o que considero um desrespeito à diferença. Certa vez ia num ônibus lotado. Eu, pequenininha, não alcançava o cordão que alerta o motorista da nossa parada. E pedi a um moço mais alto que eu:
- O senhor dá descarga aí, por favor?
Ora, o gajo deve ter pensado que eu era uma louca ou uma tremenda de uma gozadora. Para complicar ainda mais, achei que devia balbuciar alguma coisa, embora percebesse o erro que cometera: "Obrigada! Ou, desculpe". Era desculpa ou obrigada? Já nem sabia mais.
O certo é que desci bem rápido, enrubescida, tendo a certeza de que alguns me olhavam ainda, curiosos.
O desrespeito com os distraídos, a certa altura, chega a ser chocante. Certa vez em outro ônibus perguntei ao trocador: "quanto é esse ônibus?" A resposta foi infame:
"Ele não está à venda não, minha senhora!"
Vestir roupa pelo avesso, descer do ônibus várias paradas depois do ponto, chegar num enterro e falar: "Olá, tudo bem?", não é nada. O pior é entregar um cheque assinado no caixa do banco e sair sem esperar o dinheiro; deixar o carro no estacionamento, ir para casa de ônibus, procurar o carro na garagem e ligar para polícia comunicando o roubo do veículo; colocar farinha ou sal no suco para adoçá-lo; quebrar um ovo com a força maior que a vontade de comê-lo e ver o conteúdo escorrer entre os dedos; colocar detergente na salada pensando ser vinagre; fazer conta no celular ou discar na máquina de calcular; procurar os óculos pela casa toda com eles na ponta do nariz; esquecer de pentear os cabelos e até de vestir as calcinhas.
E de tirar também!
Pois não é que eu fui um dia ao ginecologista fazer a minha prevenção, quando ele me entregou uma bata e falou que eu tirasse toda a roupa e a vestisse com a abertura para a frente. Enquanto isso, conversávamos, ele da sala e eu do banheiro. Fiz tudo o que ele mandou ou pelo menos julgava ter feito. Quando saí ele pediu para eu deitar na maca, na posição ginecológica.
- O que é isso? - espantou-se.
Não era nada não... Eu esquecera o principal: tirar a calcinha. A piadinha era inevitável: "Imagine se fosse pra outra coisa...." Gracinha, aquele doutor! Dei um sorriso amarelo e tratei logo de mudar de assunto.
O pior mesmo da distração é que às vezes a gente não lembra de que é casado ou casada e sai por aí querendo se apaixonar; Lunática e nefelibata, esqueço às vezes que ando por linhas tortas e esbarro nas letras quase imperceptíveis do amor. O chão se evade sob meus pés!
Perco-me de mim, volatizo-me, esqueço de me procurar, de me encontrar, de me ver bem de perto e sinto até saudades do meu rosto. Certa vez minha imagem se perdeu no espelho, e eu fiquei lá, menina sempre, sem me atualizar no tempo e no espaço. Às vezes, nem lembro que cresci...
Um dia esqueci até de morrer. E vou esquecer sempre, pois os distraídos, os lunáticos e os loucos nunca lembram a hora certa de partir e estão sempre perdendo o vôo.
Nilze Costa e Silva

Algumas horas depois..
algumas lágrimas depois..
Um dia Especial
Cidadão Quem
Se alguém
Já lhe deu a mão
E não pediu mais nada em troca
Pense bem, pois é um dia especial
Eu sei
Que não é sempre
Que a gente encontra alguém
Que faça bem
E nos leva desse temporal
O amor é maior que tudo
Do que todos até a dor
Se vai
Quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
Acordei nesse mundo marginal
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
O amor é maior que tudo
Do que todos, até a dor
Se vai quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
To cansada de gente mesquinha
que ajuda pensando no que vai ganhar depois
cansei de "caçadores de recompensas"
"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce."
Ouvindo essa frase imaginei qualquer pessoa nessa acrobacia que crianças fazem ou tentam fazer: escalar aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, inocência, ou boa metáfora do que faemos diariamente?
Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que a gente queria era cobrir a cabeça e dormir, sem pensar em nada, fingindo que não estamos nem aí...
Porque Tânatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que a gente enfim se entregue e se acomode. Só que acomodar-se é abrir a porta para tudo isso que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro dos que constantemente desperdiçam seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros.
E o desperdício de nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo morto.
Não que a gente não tenha vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos... tudo isso nos sufoca. Sobretudo se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar...e a vida que se lixe.
A escada rolante nos chama para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Pra que mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive do mesmo jeito, e do mesmo jeito vai morrer?
Não vive (nem morrerá) do mesmo jeito. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, a gente também pode saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios.
Mesmo que pareça quase uma condenação, a idéia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes.
Colheremos quem sabe ainda uma vez - ou finalmente - a fruta mais dura de mastigar e mais doce de sentir: um amor bom.
Então, vamos à escada rolante, aqui e ali até conseguimos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito livres, mais ousados e mais interessantes.
E por que não? Na pior das hipóteses caímos, quebramos a cara e o coração, e podemos ainda uma vez...recomeçar.
Lya Luft
Confesso que quando era criança, tambem subi a escada rolante pelo lado que desce.... Ainda hoje quando lembro dessa façanha dou boas risadas... mas nunca havia parado para pensar que talvez venha fazendo isso todos os dias...
Sem dúvidas.
Não me lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reivenção de nós mesmos - para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como um jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, do trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confrotável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha.Muitas vão abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas uma ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente programada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada de excepecional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e respeitando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possivel dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá o que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor qeu afinal se conseguiu fazer.
Lya Luft
Palavras às vezes pesam como pedras
ferem a boca como pedra que se mastiga.
Agudas, acertam rápidas como pedras dirigidas
esfriam como pedras frias na boca ressentida
pensam e pedram como pedras no caminho.
pensem muito bem no que falarem numa discussão
pensem muito bem se é realmente o que seu coração quer dizer.
É sabido que em qualquer briga, a alteração e o turbilhão de emoções muitas vezes não nos deixa pensar.
mas, se possivel pensem muito bem no que estão dizendo ao outro
porque tenham a certeza de que, o que foi dito, foi dito, nada fará apagar as palavras.
e não há quem diga que certas palavras não doem.
Aahh sim...palavras causam dor
Para quem as profere e muito mais para quem as escuta.
"Quando vocês discutirem, não deixem que
seus corações se afastem, não digam palavras
que os distanciem mais, pois chegará um dia em
que a distância será tanta que não mais
encontrarão o caminho de volta".
(Mahatma Gandhi)
Será que nós já perdemos o caminho de volta?
Acho que sim.
e você não faz a menor idéia de como me dói pensar isso.
dói mais ainda saber que terei de deixar-te
mesmo havendo amor.
mesmo havendo paixão
pois as tuas palavras ditas, como você mesmo fala: "quando eu to irritado,não penso no que digo, não dá bola, não fica pensando"
Não adianta "não dar bola", e não tem como "não ficar pensando".
O que foi dito, foi dito. de nada adianta voltar atrás.
O que me dói é isso... tuas palavras
me ferem todo dia.
além da dor fisica e do medo constante
desculpa amor.
mas é bem provavel que tenhamos perdido o caminho de volta.
PARA UMA MENINA COM UMA FLOR
Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque que você acorda tarde e gosta de brigadeiro: quero dizer o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque quando você sonha que eu estou passando você p/ trás, transfere a sua ddc para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo p/ cima, como uma santa moderna e anda lento e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pagem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz; e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim pra ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente sozinha e perdida no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seu lhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E pôr que você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que eu estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim pôr ela, a mão no queixo, a perna cruzada triste, e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita p/ você, " Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, se por acaso você não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando aquele pedaço em que digo que você "tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois."
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonhas - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão presciente de Guinard; e o meu coração põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que já tive, e você é filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinalda; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor.
Xii...
essa cronica do Vinicius é de longe a minha preferida..
sobretudo porque eu passei parte da minha infancia ( 8 aos 13 anos mais ou menos) escutando a minha irmã ler ela todas as noites para mim...